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O parasitismo corporativo e a destruição da Petrobrás

Os momentos de severa crise econômica costumam revelar traços obscuros da personalidade humana e na Petrobrás isso não é diferente. Desde a brusca mudança na remuneração dos cargos de confiança instituída na administração do presidente Reichstul, pôde-se perceber uma mudança na tendência da atuação dos gerentes da companhia. Se no passado, as decisões costumavam ser tomadas a partir de debates francos e diretos, a cooptação legal dos gerentes alcançada por meio de vultuosos salários, tornou o alinhamento ideológico algo bastante recorrente.

No entanto, o parasitismo corporativo vai muito além do alinhamento gerencial aos seus superiores, por diversas vezes prejudicial à companhia. Já é possível perceber que a estratégia de alinhamento como forma de sobrevivência corporativa tem feito escolha dentre os colegas da área técnica. Debates francos sobre o futuro da companhia estão sendo substituídos pelo silêncio de modo que, ao que parece, o medo de combater o desmonte da maior empresa do país é maior que o interesse em trabalhar pelo seu fortalecimento.

A principal questão é que nenhum hospedeiro resiste ao parasita, quando o parasita demanda mais energia ou recursos que o hospedeiro pode prover. Essa limitação põe em cheque toda essa estratégia de sobrevivência, uma vez que a omissão de hoje pode resultar na perda do emprego amanhã.

Portanto, é imperioso que os empregados da Petrobrás estejam cientes de que as inúmeras promessas de sobrevivência feitas nos últimos meses não passarão de promessas, caso a empresa continue no caminho da privatização e da entrega de suas riquezas às multinacionais.

A Petrobrás é uma empresa forte e, antes do início das privatizações de ativos, estava fortemente estruturada para gerar riquezas de forma financeiramente equilibrada, mas está sendo destruída pouco a pouco em favor das petroleiras estrangeiras. Não à toa, a nova política de preços instituída pela empresa não trouxe os resultados prometidos e ainda por cima contribui para engordar os caixas das concorrentes que já demonstraram interesse em comprar a BR Distribuidora.

Por isso, é essencial que o parasitismo corporativo seja combatido diuturnamente, pois a estratégia egoísta de buscar ascensão corporativa às custas da destruição da própria empresa consiste numa manobra arriscada e extremamente contraproducente.

 

 

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